Considerado o maior cronista da teledramaturgia brasileira, Manoel Carlos faleceu neste sábado (10/01), aos 92 anos de idade. Informação confirmada no perfil oficial da produtora Boa Palavra, responsável por administrar a obra e o legado do autor.
Maneco, carinhosamente chamado por artistas, diretores e fãs, escreveu verdadeiros clássicos. Ele assinou 18 novelas, a maioria de grande sucesso. Em 1990, aceitou o desafio de roteirizar El Magnate, exibida pela Telemundo. Helena, em 1952, foi sua primeira trama. Apesar do nome que marcou suas protagonistas, a estreia em dramaturgia não tem ligação com as histórias das Helenas. Aliás, Manoel Carlos é considerado o autor que melhor retratou os dilemas femininos nas décadas de 1970, 1980 e 1990.
Baila Comigo trouxe a primeira Helena de Manoel Carlos. A partir de Felicidade muitas outras Helenas protagonizaram novelas do horário nobre. História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família tinham ela no papel principal. Lilian Lemmertz abriu essa jornada e sua filha, Julia Lemmertz, interpretou a última Helena criada por Maneco. Decidido a encerrar sua carreira como autor de novela, ele resolveu fazer uma bela homenagem à atriz que inaugurou a fase das Helenas.
Momentos marcantes da televisão
Manoel Carlos foi muito mais do que um autor brilhante da nossa teledramaturgia. Ele produziu programas que marcaram a história da TV brasileira. Maneco integrou a Equipe A da TV Record, responsável pela Família Trapo, Corte Rayol Show, Bossaudade, Hebe e O Fino da Bossa. Todas essas atrações lembradas até hoje como referência de qualidade e criatividade na TV. Além disso, ele também assinou Malu Mulher, Presença de Anita e Maysa – Quando Fala o Coração.
Jornalista por formação, Maneco sempre fez questão de atender os repórteres e colunistas para falar sobre suas novelas. Aliás, muito comum ele revelar detalhes dos últimos capítulos, afinal acreditava que o telespectador não abria mão de assistir na TV toda a emoção que o elenco colocava nos textos que escrevia. Mas, mesmo com toda a pressão para entregar os capítulos, reservava um tempo no dia para atender os artistas que o procuravam com dúvidas sobre cenas.
Maneco foi um verdadeiro cronista do cotidiano do brasileiro. Muito comum em suas novelas os diálogos na cozinha, numa caminhada pelas ruas do Leblon, no elevador ou até mesmo no café da empresa. Cenas que pareciam banais, mas que revelavam muito da história do personagem e repercutiam os acontecimentos registrados nos jornais. E assim deixava sua obra extremamente atual.
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