Lady Gaga e Doechii não lançaram apenas mais um clipe pop. Com “Runway”, as artistas entregam um projeto visual que funciona quase como um editorial de moda em movimento e, ao mesmo tempo, um retorno claro à estética exagerada que marcou o início da carreira de Gaga.
Um clipe que é mais moda do que música

Reprodução/YouTube (clipe “Runway”)
Dirigido por Parris Goebel, o vídeo abandona a lógica tradicional de narrativa e aposta em impacto visual. Na prática, cada cena funciona como uma passarela diferente, com trocas constantes de figurino e conceito.
O styling mistura nomes consagrados e designers emergentes de Viktor & Rolf a Gaurav Gupta reforçando uma ideia importante: moda aqui não é cenário, é protagonista.
Além disso, o clipe trabalha com exagero deliberado: silhuetas distorcidas, peças esculturais e looks que parecem mais instalação artística do que roupa.
Referências à própria Lady Gaga
“Runway” também dialoga diretamente com a trajetória de Lady Gaga. Ao longo do clipe, surgem elementos que remetem a diferentes fases da artista, especialmente ao período em que moda e performance eram praticamente inseparáveis.
Entre esses sinais, aparecem figurinos que evocam a era de Telephone, além de construções visuais que lembram suas primeiras performances marcadas por conceitos fortes e presença cênica quase teatral. Ao mesmo tempo, o uso de peças que funcionam como “objetos” reforça essa ideia de corpo como extensão da arte.
Dessa forma, o exagero visto no clipe não surge como excesso gratuito. Pelo contrário, ele resgata uma linguagem que sempre esteve no centro da identidade de Gaga: a moda como ferramenta de expressão artística.
Dualidade com Doechii

Reprodução/YouTube (clipe “Runway”)
Enquanto Gaga revisita seu passado, Doechii surge como contraponto moderno.
A rapper transita entre o editorial e o experimental, com mudanças visuais constantes incluindo transformação capilar e figurinos dramáticos que reforçam identidade própria dentro do clipe.
Com isso, a parceria não soa como participação comum, mas como um diálogo entre gerações do pop.
Música acompanha o conceito
A faixa “Runway” mistura house e hip-hop com influência da cultura ballroom, usando a passarela como metáfora de visibilidade, ambição e identidade. Runway
Ou seja, o conceito não fica só no visual ele está também na construção sonora e na letra.

Reprodução/YouTube (clipe “Runway”)
Mais que trilha sonora
Ligada ao filme O Diabo Veste Prada 2, a música poderia ser apenas promocional. No entanto, o clipe vai além disso.
Há referências diretas ao universo do filme, mas sem depender dele. Assim, “Runway” se sustenta como peça independente tanto na música quanto na estética.
Confira o videoclipe de “Runway”
