Os executivos das emissoras de TV estão cada vez mais preocupados com o avanço do streaming, principalmente aos finais de semana. Na história da TV, sábados e domingos sempre ganharam uma atenção em especial, afinal são dias onde os programas atingem o público mais amplo, classificado como “familiar”. Atingir as pessoas das mais diferentes gerações e condições sociais atende ao que os anunciantes mais desejam e, portanto, os espaços comerciais valem muito mais.
Nos anos 1990, Faustão e Gugu Liberato exemplificaram muito bem a importância estratégica e comercial do domingo. Domingão do Faustão de um lado e Domingo Legal do outro dividiam a plateia e disputavam a atenção do telespectador minuto a minuto, Os demais concorrentes nem apareciam tanto e, no máximo, as videolocadoras ofereciam entretenimento como opção. Claro que os tempos mudaram e a audiência se pulverizou com outros investimentos, entre eles o Pânico na TV, Tudo é Possível, Hora do Faro, Márcia e muitas outras atrações.
A pulverização da audiência transferia público de uma emissora para a outra na TV aberta, para os canais pagos ou para os DVDs e games. Entretanto, agora, os executivos não olham mais somente para os antigos concorrentes do mesmo segmento. A disputa traz um novo e forte adversário: o streaming, que avança mês após mês. E esse crescimento aponta para a falta de atrações capazes de reter o telespectador, uma vez que boa parte das pessoas vai maratonar séries ou atrás de conteúdo nos serviços digitais.
Números explicam
Os números do domingo, 03 de maio, escancaram muito bem o que vem acontecendo com a TV aberta e a preocupação de executivos de diversas emissoras. Na média/tarde (12h às 18h), o streaming fechou com 16,3 pontos de média, o equivalente a 31,7% do público desta faixa. Um terço da plateia disponível estava no digital. Enquanto isso, Globo marcou 11,2 pontos, o que correspondeu a 21,8% dos telespectadores do horário. O SBT ficou com 6,1 de média e 11,9% de share, a Record com 4,6 pontos e 8,9% de share. Os canais pagos atingiram 4,2 pontos e 8,1% de share. À noite não foi muito diferente. Entre 18h e 24h, o digital conquistou 17,1 pontos de média e 29,6% de participação. A Globo fechou com 15,4 pontos e 26,6% de share.
Essa presença forte do digital já não é mais questionada pelos executivos da TV, que agora pensam em como dificultar o avanço do streaming. Ou melhor, no que realmente podem oferecer para mostrar ao telespectador que a TV aberta ainda vale muito como entretenimento para toda a família. O problema é que qualquer decisão acontece sempre a partir de alguma pesquisa e, nem sempre, o que aparece nos estudam levam a melhores resultados. Em conversas com alguns diretores, ouvi a mesma reflexão: falta no mercado profissionais que tenham a sensibilidade para entender realmente o que o público deseja. No passado, muitos sucessos surgiram desse “sexto sentido” e não de pesquisas.
