O mercado audiovisual acompanha atentamente as mudanças no consumo de conteúdo do brasileiro. A pandemia acelerou um processo de transformação que já estava em curso, mas em outra velocidade. Para muitos executivos da comunicação, apesar de ainda atingir quase 70% dos brasileiros, a TV aberta já não é mais indispensável, como em décadas passadas. Além disso, a oferta de conteúdo aumentou muito, principalmente em outras plataformas.
Pesquisas e estudos sobre o consumo de audiovisual no país apontam que o brasileiro não se prende mais ao veículo, mas vai atrás do que é interessante para seu dia a dia. Nesse sentido, aumentou a produção e consumo de podcasts, assim como de séries, documentários, filmes e especiais ofertados nos meios digitais. É muita informação e entretenimento á disposição para serem apreciados na hora em que o público determina. Além disso, aprendemos que esse consumo pode ser em movimento, através de celulares cada vez mais evoluídos tecnologicamente.
Como reflexo de tudo isso, os executivos das emissoras da TV aberta perceberam que houve uma redução no índice de televisores ligados em várias faixas do dia. Na última terça-feira (17/03), por exemplo, na média/dia (07h às 24h) o total de ligados ficou em 39,4%. Na terça-feira anterior esse índice ficou em 44%, uma redução de pouco mais de 4 pontos percentuais. Nesse mesmo dia, pela manhã (06h às 12h), o total de ligados ficou em 23,9% e pela tarde (12h às 18h) em 37,5%. Os dois números bem abaixo do que era registrado em meses anteriores. E outro dado chama atenção: na terça-feira (17/03), o total de ligados à noite (18h às 24h) ficou em apenas 54,1%.
Consequências e nova realidade
Essa redução na quantidade de televisores ligados e a pulverização do conteúdo só aumentam a dor de cabeça dos executivos ligados às estratégias de programação. O resultado é uma queda significativa na média de audiência dos programas, que, quando divulgada, só reforça a tese da perda de relevância da TV aberta. O problema é que os atuais métodos de medição de audiência não conseguem mensurar o consumo de conteúdo nos celulares, talvez hoje o meio mais presente no dia a dia do brasileiro.
