Filme do caso Nardoni coloca promotoria em xeque

Ana Giardini
4 Min Read
Isabella, Nardoni, Netflix
Isabella: o Caso Nardoni.
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Documentários sobre crimes reais é uma das categorias em que a Netflix, sem dúvida nenhuma, possui um dos melhores catálogos dentre as plataformas de streaming disponíveis no Brasil. De séries a filmes, de casos com ou sem resolução, sejam do Brasil ou do mundo, a produtora achou um nicho que desperta a curiosidade do telespectador. São crimes, que trazem investigação e suspense usando um enredo real, e que, em muitos casos, o telespectador é o escolhido para julgar o certo e o errado, o que passou despercebido ou não, o que pode ter ou não de fato acontecido. Portanto, é esperado, automaticamente, que o telespectador seja colocado numa mesma posição de um jurado durante o julgamento, ouvindo e avaliando, dentre suas próprias conclusões, a narrativa contada pela promotoria, pela defesa e as provas e indagações que cada lado deve apresentar e questionar.

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Grandes Expectativas

Com base nisso, quando a Netflix anunciou o lançamento de um documentário sobre um dos crimes que mais marcaram a história do país, era impossível não elevar as expetativas nas alturas. Com um caso como o dos Nardoni e com a cobertura que teve na época, era de se esperar versões de todos os lados, principalmente, com os detalhes que levaram a condenação do pai e da madrasta de Isabella. Ao contrário disso, o filme mantém uma narrativa horizontal, sem apresentar as provas indiscutíveis para a condenação e ainda coloca em xeque a qualidade do trabalho tanto da promotoria quanto da defesa durante o julgamento. O documentário acusa a promotoria de contar uma versão dos fatos com apenas parte das evidências para acomodar a sua versão do que teria acontecido naquela noite enquanto acusa o trabalho da defesa de ter sido malfeito, apesar do difícil julgamento.

Apesar de conter relatos interessantes e depoimentos emocionantes com a mãe e a avó de Isabella, o filme acaba se tornando vago, apenas relembrando os acontecimentos conforme cobertura da mídia e deixa uma sensação de acusações sem o embasamento correto. A morte da menina Isabella foi triste e chocante para dizer o mínimo. O caso mexeu com a população brasileira, que sentiu as dores da família, abraçou a mãe e urgiu por justiça.

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Outras Informações

Para entender de fato o caso Isabella Nardoni, a recomendação é que assista ao primeiro episódio da terceira temporada da série ‘Anatomia do Crime’. A série traz em cada episódio de cerca de 45 minutos um crime brasileiro, com depoimentos de criminólogos, delegados envolvidos, alguns familiares e análises psicológicas forenses que ajudaram a polícia a determinar as caraterísticas de cada réu, incluindo suas motivações.  Neste episódio todos os acontecimentos da noite de 18 de março foram detalhadamente refeitos com linha do tempo, ações do casal e das crianças, com imagens de segurança do prédio, reconstituições, marcas e indícios encontrados pela polícia de toda a violência que a menina Isabella, na época com 5 anos, teria sofrido. A série de 2017 fez parte por anos do catálogo da Netflix, mas hoje é encontrado como conteúdo do Amazon Prime Video. Além deste caso, outros que ganharam muita repercussão como os casos Eloá, Cartunista Glauco, Farah Jorge Farah, Maníaco do Parque e Mércia Nakashima também fazem parte da série de 3 temporadas.

 

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Formada em Comunicação Social com foco em Rádio e Televisão pela Faculdade Cásper Líbero, com aperfeiçoamento em Produção pela New York Film Academy. Atuante dá área de entretenimento com passagem por programas de variedades, musical e ficcional, entre eles a implantação do programa Faustão na Band.
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