Os executivos da Globo estão cada vez mais preocupados com o avanço da concorrência e, principalmente, os momentos em que ela perde a liderança para o rival. Mas, diferente dos anos 2000, quando era possível reagir a partir dos investimentos do SBT e Record, agora a situação é muito mais difícil. O inimigo não está na TV aberta ou fechada, mas no digital. E ai vem o problema: é um conteúdo multifacetado em vários canais do Youtube e nos milhares de perfis do TikTok e Instagram. Além disso, tem as plataformas de novelas verticais e as webTVs.
Na década de 2010, por exemplo, o Vídeo Show sofreu com a Hora da Venenosa de Fabiola Reipert. O programa até saiu do ar porque a Globo não soube responde à altura da concorrente. Mas ali, mesmo com a derrota, os executivos da emissora sabiam muito bem quem e o que conquistavam o telespectador. Em 2015, a novela Os Dez Mandamentos garantiu várias noites na liderança, principalmente em São Paulo. Para recuperar o terreno, a Globo ajustou os horários do Jornal Nacional e de sua novela. Decisão tomada a partir do estudos dos movimentos da Record e com a certeza de qual o produto o público preferia.
Agora é diferente
Nas diversas reuniões que acontecem na Globo todos reconhecem que a atual disputa exige muito mais estudo, estratégia e frieza. É praticamente impossível achar o programa exato que rouba a audiência da emissora. O Vale a Pena Ver de Novo pode ser trocado por vídeos no Youtube de notícias sobre televisão, esporte, política ou de puro entretenimento. Mas, pode ser também por novelas antigas no Globoplay, verticais nos APPs ou vídeos diversificados no TikTok e Instagram. Mas, como contra-atacar esse inimigo de muitas faces? A resposta parece ser simples, mas não é. A Globo não pode deixar o digital conquistar definitivamente o primeiro lugar no consumo de vídeos no país.

Os números dos últimos dias exemplificam muito bem esse novo cenário de disputa da Globo com seu principal concorrente. Na última quinta-feira (29/1), das 12h às 18h, o digital conquistou 12,3 de média, o equivalente a 30,2% do público desta faixa. A Globo marcou 9,7 pontos, o que corresponde a 23,7% dos telespectadores da Grande São Paulo. Na quarta-feira (28/1), a mesma situação. Na média tarde o CSR teve 12,8 de média contra 10,5 pontos da Globo. Mas, a diferença do domingo foi a mais assustadora. No dia 25 de janeiro, das 12h às 18h, a Globo ficou com apenas 9,2 de média. Isso representa 20,2% do mercado nessa faixa do dia. O digital conquistou 14,2 de média, o equivalente a 31,2% do público. A diferença de 5 pontos na média assustou.
Como mudar isso?
Essa é a pergunta que muitos se fazem na Globo. E claro, se trabalha para responder. O único caminho para a Globo não perder a liderança no consumo de conteúdo em vídeo no Brasil é oferecer o que só a TV aberta tem condições. Ou seja, apostar em informação, em programas ao vivo durante o dia e em entretenimento popular. É o que só a televisão tem que será capaz de deixar a Globo mais tempo na liderança.
