O brasileiro consome cada vez mais conteúdo digital, seja através do Youtube, apps de vídeo ou plataformas de streaming. O que chama atenção dos executivos do audiovisual é que esse aumento não acontece somente pela entrada de um público mais jovem, mais acostumado ao mundo digital. As pesquisas apontam que telespectadores mais fiéis às TVs já migram para o digital atrás de algo para assistir, principalmente no período da tarde. É muito comum ouvir que a grade vespertina da TV está pesada e repleta de jornais sensacionalistas.
Esse movimento de procura de conteúdo no digital já mexe significativamente com a audiência das tardes na Globo, Record, SBT e Band. Dia após dia, os estrategistas das emissoras percebem uma queda nas médias de atrações estão há muitos anos no ar. E, mesmo com sinais dessa fuga, insistem em manter a pauta mais nervosa e com os crimes do dia.
Números exemplificam
O streaming já é a segunda audiência das tarde e não raras vezes ultrapassa a Globo. Entretanto, mesmo quando a emissora fica em primeiro lugar a diferença com o CSR é mínima. Na última segunda-feira (30/03), na média/tarde (12h às 18h), o digital marcou 11,2 pontos, o equivalente a 27,3% do público desta faixa. A Globo alcançou 11,0 pontos (27%), a Record 5,7 pontos (14%), o SBT 2,5 pontos (6,1%) e a Band 2,1 pontos (5,1%). Na terça-feira (31/03), a Globo levou vantagem com 10,7 de média (26,9%) e o streaming ficou com 10,3 pontos (25,9%). Já na quarta-feira (01/04), a Globo liderou com 10,6 pontos (28,1%) e o CSR marcou 10,0 pontos (26,7%)
O fato é que, somadas, Globo e streaming chegam a quase 55% do público e todas as demais emissoras da TV aberta e fechada dividem os 45% restantes. Ou seja, para resgatar quem foi para o digital atrás de um conteúdo mais leve e de entretenimento, os canais precisam rever o que oferecem atualmente. Sairá na frente quem entender que não dá para oferecer o mais do mesmo.
