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Final de Vale Tudo prova que Manuela Dias não ouviu Silvio de Abreu

Autora da nova versão de Vale Tudo não explicou como Odete ressuscitou e quem realmente a ajudou num plano totalmente desconhecido pelo público

Passadas a euforia para alguns e a decepção para outros, o final de Vale Tudo merece uma análise mais fria e com o distanciamento necessário do calor das revelações. Nem mesmo Manuela Dias conseguiu escapar da paixão por Odete Roitman. O brilhantismo de Débora Bloch na condução da vilã levou o telespectador e a própria autora a um final que prova que personagens possuem vida própria.

Atender ao anseio de parte do público não é um crime. Muito pelo contrário, princípio básico de uma obra aberta como já vimos em inúmeras novelas de sucesso. Mas, para manter Odete Roitman viva é fundamental ter a coerência para justificar que um tiro que atravessou o corpo da empresária e provocou um grande sangramento não foi fatal. Voltar à vida dentro de uma ambulância não pode acontecer apenas um passe de mágica. O público merece entender como ela ficou horas no quarto do hotel para a perícia levantar informações sem mostrar que respirava ou sentia dores causadas pela bala que atravessou seu corpo.

É preciso voar, mas com lógica

Novela é ficção, todos sabemos. E, como diz Glória Perez, precisamos voar. Mas, até para soltar a imaginação e embarcar nos prazeres de uma boa narrativa, fundamental ter lógica e explicar ao telespectador. Odete estava com colete a prova de balas? Depois da discussão com Heleninha chamou algum segurança ou acionou o Secretário de Segurança? Freitas já estava combinado com ela? Consuelo desviou dinheiro para a milionária viver feliz em Paris? Afinal, Odete não é aquela pessoa que abrirá mão do luxo, dinheiro e poder para viver anonimamente no exterior. Tantas perguntas sem respostas. Tantas incoerências simplesmente para uma frase lacradora no final da novela: “Odete Roitman sempre volta”.

Assim como Glória Perez nos ensina a voar e não ser tão rígidos com as novelas, Silvio de Abreu sempre nos mostrou que o final de uma história precisa ser justificado durante todo o tempo. A Próxima Vítima foi um grande sucesso em 1995. Assim como agora, o público tentava descobrir um grande mistério: quem era o serial killer que eliminava suas vítimas a partir do horóscopo chinês? Antes disso, todos tentavam antecipar quem seria a próxima vítima. No último capítulo a revelação com direito a cenas exibidas durante toda a novela para mostrar que as pistas estavam lá o tempo todo. Parece que Manuela Dias faltou a esta aula.

A sensação que dá é que Manuela Dias não tinha certeza do final da novela e se levou pelo calor da paixão por Odete
Roitman. Marco Aurélio ser o “assassino” foi a escolha certeira, principalmente porque, canalha que é, deixou sua ex-mulher levar o peso de uma nova morte que não provocou. Mas, ressuscitar a vilã virou brincadeira mau gosto. A frustração de parte do telespectador acontece porque ele ficou com a sensação de que a autora menosprezou nossa inteligência.

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José Armando Vannucci
José Armando Vannuccihttps://www.canaldovannucci.com.br
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.