Você pode até não gostar da carga de humor em Arminda, a vilã de Três Graças. Mas, não tem como negar que Grazi Massafera entrega uma boa interpretação. É uma personagem fundamental para a novela por dois motivos. Como vilã, faz a história andar e como respiro cômico nos faz rir nas pausas necessárias da trama principal. Por isso, a direção tem um cuidado todo especial com suas cenas para que nunca ultrapassem o tom ideal.
Nos últimos capítulos, acompanhamos uma Arminda que ampliou seu prazer com um novo amante. Joaquim a tirou do eixo e até Josefa percebeu isso. A alegria é tanta que a vilã nos surpreendeu com dancinha que lembrava Virgínia Fonseca e outra em homenagem a Gretchen. Grazi nos fez rir ao se entregar numa cena em que a atriz não pode temer o ridículo que vai divertir o telespectador. Além disso, mostra uma vilã que descobriu que o atual amante roubou sua estátua e quer vingança. Ao mesmo tempo, não quer abrir mão do prazer.
Até o momento, Gazi Massafera consegue se equilibrar muito bem entre a comédia e a vilania. Arminda é, sem dúvida, uma recriação moderna de Nazaré e, por isso mesmo, exige muita atenção dos autores de Três Graças. O tênue limite da personagem é como o fio afiado de uma navalha. Tem como caminhar nele sem se ferir, mas essa tarefa é para grandes. Grazi, Aguinaldo, Virgílio e Zé Dassilva estão conseguindo. E eu, como telespectador, torço para Arminda mergulhar cada vez mais nessa loucura extremamente atraente.
