Talvez você não o conheça pelo nome, mas saberá quem é pelo apelido e a semelhança com Marcos Mion. Victor Rodrigues Coelho, o Mionzinho, deu o que falar nos últimos dias, principalmente pelas suas declarações sobre Mion e Serginho Groisman. Durante uma entrevista ao podcast Eles Que Lutem, o humorista afirmou que seu antigo parceiro está no formato errado e que a Globo deveria aposentar Serginho e dar as noites de sábado para o atual apresentador do Caldeirão.
Questionado sobre Groisman, Mionzinho foi direto: “Ele é um velho chato! O Altas Horas ficou chato”. Essa frase caiu como uma bomba nos bastidores da Globo e deu início a muitas conversas sobre a postura de Marcos Mion na emissora. Até por sua longa história na empresa, Serginho tem o respeito de pessoas em todos as esferas e departamentos. E ficará no ar até quando desejar, afinal o Altas Horas está entre os programas mais rentáveis do entretenimento.
Altas Horas X Caldeirão
Antes de iniciar qualquer comparação entre o Altas Horas e o Caldeirão, é importante lembrar que os dois programas pertencem à mesma diretoria de gênero. Ou seja, Monica Almeida é quem dá o aval para as duas atrações e busca diferenciá-las. Entretanto, não há como negar que os dois programas recorrem a elementos muito parecidos, afinal são programas de auditório com participação de músicos, bandas, cantores e artistas. Mas, tirando isso, seguem decisões artísticas bem diferentes.
Um pouco antes da pandemia, Serginho Groisman realizou um ajuste no Altas Horas que poucos perceberam. Se lá no passado a plateia era formada quase que exclusivamente por jovens estudantes ou universitários, agora o auditório recebe pessoas mais velhas, afinal a audiência da televisão amadureceu. Última pesquisa Cross Plataform View, da Kantar Ibope, apontou que 40% dos telespectadores possuem mais de 60 anos. E que a faixa etária 45 a 59 anos vem logo depois no ranking de presença de público. Mas o ajuste não foi apenas nas “caravanas” que vão assistir ao programa no estúdio, mas principalmente no conteúdo.
O Altas Horas apostou em edições temáticas, referenciou sucessos dos anos 80 e 90 e promoveu encontros dos mais variados e imprevisíveis. Mas, sempre atendendo ao público que realmente está à frente da TV num sábado à noite. Além da pauta muito bem definida, Serginho Groisman tem a seu favor o respeito do mercado musical e, portanto, seus convites são praticamente irrecusáveis.
O Caldeirão também se transformou nos últimos anos desde que Marcos Mion assumiu sua apresentação. O programa tem a cara do Mion e, principalmente, sua energia. Mas, tem também referências de quadros que marcaram outras atrações da Globo, como o Sobe o Som, com fortes influências do Ding Dong, do Domingão do Faustão. Além disso, faz homenagens a grandes nomes da música que lembram um pouco o Altas Horas. Mas, como escrevi acima, tudo aprovado pela direção de gênero.
Números do fim de semana
Opinião é algo muito pessoal e chega a partir dos nossos gostos e vivências. Por isso, a avaliação de Miozinho sobre Serginho Groisman e o Altas Horas representa a sua percepção. E, com certeza, de mais algumas pessoas. Entretanto, os números de audiência refletem as preferências do telespectador. E, nesse aspecto, Serginho Groisman parece agradar muito mais do que Marcos Mion.
No último sábado (09/05), o Altas Horas fechou com 13,3 pontos de média. Cada ponto no Ibope representa 199.632 pessoas. Ou seja, Serginho Groisman foi assistido por 2.655.105 telespectadores, que corresponde a 29,4% do público do horário na Grande São Paulo. Mais cedo, o Caldeirão com Mion garantiu 10,1 de média ou 2.016.283 pessoas, o equivalente a 23,6% do público dessa faixa da tarde. Já no domingo (10/05), o Domingão com Huck atingiu 11,9 pontos ou 2.375.620 pessoas, que representou 20,3% dos telespectadores à frente da TV no horário.
A conta não é tão simples assim, porque essa equação ainda leva em consideração o valor comercial do horário, a importância do dia da semana e a credibilidade dos apresentadores. Mas, os números acima mostram que o “velho chato” atrai mais pessoas, mesmo com um programa com atrações voltadas aos mais maduros que realmente estão à frente da TV nas noites de sábado. De nada adiantará renovar o programa se ele não estiver direcionado realmente para o telespectador.
