Quem realmente colocou ordem na TV brasileira? Não foi o Boni

Walter Clark foi o primeiro a pensar a televisão como veículo que precisava dar lucro e audiência

José Armando Vannucci
José Armando Vannucci - José Armando Vannucci
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Walter Clark num registro da TV Globo
Walter Clark comandou também a TV GloboReprodução Memória Globo

Walter Clark está entre os grandes nomes da história da televisão. Junto com Boni, transformou a TV Globo em sucesso, mas seu brilhantismo começou muitos anos antes, em 1956.

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Disposta a conquistar a liderança em audiência no Rio de Janeiro, a TV Rio contratou Walter Clark, um jovem publicitário promissor, cheio de ideias revolucionarias. Além disso, compreendia a TV como um veículo de comunicação de massa. Ou seja, só cresceria se atingisse não somente as famílias mais favorecidas economicamente, mas também as classes média e baixa. ”Com toda a retaguarda da publicidade, ele dinamizou a emissora”, lembrou Fernanda Montenegro em entrevista para o livro Biografia da Televisão Brasileira.

Aos poucos, Wlater Clark desenvolveu um padrão de grade de programação, com faixas definidas para jornalismo, esporte, linha de shows e dramaturgia. Estrutura essa que ele e Boni aprimoraram na TV Globo e adotada até hoje por todas as emissoras brasileiras. Walter Clark também pensou nos custos diretos e indiretos das atrações exibidas diariamente.

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Perguntas diretas para soluções

Assim que chegou à TV Rio, perguntava aos gestores quanto custava o minuto de programa e ouvia como resposta que se desconhecia os valores. Então, ele explicava que bastava dividir o quanto se gastava por mês pela quantidade de minutos para saber o custo de cada programa. Nos anos 50 e 60, as emissoras de TV não separavam por atrações as entradas de receita e um programa com bom faturamento compensava algum que não conseguia atrair anunciantes, mas que era uma aposta da direção. O dinheiro arrecadado com publicidade era contabilizado de uma maneira global, depois descontava-se os gastos com a folha de pagamento e com as contas de energia, água, impostos, etc. O que sobrava – quando sobrava – era o lucro do mês na emissora.

O problema é que, administrativamente, não se sabia se um programa era rentável; ou seja, gerava mais despesas com cenário, artistas e equipe do que conseguia arrecadar com publicidade.

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