Todos os anos a Globo busca alguma novidade para a transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. A ideia é surpreender o telespectador, prendê-lo durante uma longa madrugada, quebrar a mesmice das apresentações e, desta forma, garantir audiência. Não faz muito tempo, os diretores acreditaram que para garantir mais entretenimento e faturamento com merchans os influencers e artistas eram a solução. E não foi. Muito pelo contrário, a emissora recebeu uma enxurrada de críticas e reclamações. E o pior: a audiência não respondeu.
Desde então, a Globo decidiu fazer o arroz com feijão bem temperado nos desfiles das escolas de samba. Bons narradores, alguns comentaristas e jornalistas escalados para dar informação. O espetáculo é naturalmente garantido através do que cada agremiação apresenta ali no sambódromo. Portanto, o diferencial que vai prender a atenção do público é justamente a qualidade da informação, essa garantida através do trabalho de jornalistas e produtores que acompanham durante meses os trabalhos em cada escola.
Mais uma vez, a Globo deixou de inventar “influencers do carnaval” e apostou em quem realmente tem credibilidade e o respeito do público. Mariana Gross comandou toda a movimentação dos repórteres diretamente da concentração e, desta forma, levou ao ar informações importantes sobre os desfiles e não apenas as “bobagens” sobre fantasias de passistas ou o grito dos integrantes das diversas alas. Pedro Bassan, por exemplo, mostrou toda a movimentação na Justiça contra o enredo da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula. De campanha antecipada a olhar atento da Justiça Eleitoral, esse bloco de informação provou que o desfile vai muito além do que a escola leva para a passarela do samba. E isso influencer não consegue fazer.
Festa e a magia do carnaval
É claro que um desfile de escola de samba não pode ser tratado apenas pelo olhar puro do jornalismo. Fundamental garantir a alegria, a descontração, a torcida do público e as emoções nos bastidores. E ninguém melhor para isso do que Milton Cunha, um homem com uma longa história no carnaval carioca e, portanto, com acesso a muitos lugares e conversas que os jornalistas não alcançam. Além disso, um dos personagens mais divertidos, com suas sacadas rápidas, humor e descontração.
A Globo escalou para a narração dos desfiles do Rio de Janeiro uma dupla do esporte: Karine Alves e Alex Escobar. E para São Paulo apostou em Everaldo Marques e Valéria Almeida. Alex, Everaldo e Karine são do esporte. Valéria, do entretenimento. Os quatro não possuem impedimentos comerciais e, portanto, podem citar as marcas e, até mesmo, fazer ações de merchandising, o que contribui bastante para o faturamento do evento.
Ou seja, mesmo que alguns defendam que a transmissão de carnaval fique totalmente na mão de um diretor artístico, mais uma vez se provou que o jornalismo faz a diferença e garante a credibilidade. Luzes, efeitos especiais, drones com câmeras, estúdio de vidro no alto … nada disso funciona sem o que realmente é fundamental: o show e a informação.
