Henri Castelli não está mais no BBB 26. Depois de duas crises convulsivas, o alto comando do reality tirou o ator do confinamento. O mínimo que se esperava diante da responsabilidade de lidar com a vida e o bem estar dos participantes do programa. Esse episódio com o integrante do Camarote abre uma importante e necessária discussão sobre até que ponto um diretor pode ir na luta pela audiência.
Não é segredo que a Globo pressionou a equipe do BBB para uma reação depois da queda de audiência registrada durante a 25ª edição. A temporada do ano passado estreou com ares de comemoração, afinal chegou à sua boda de prata. Entretanto, o formato com duplas na primeira fase da competição não conquistou uma parcela importante do público. E não deu outra: nos últimos meses, a equipe trabalhou pressionada para fazer um BBB 26 forte. O caminho mais óbvio foi jogar essa pressão no BBB 26 e, desta forma, entregar mais jogo, evitar as plantas e acabar com um certo marasmo nos primeiros episódios.
O clima de pressão ficou muito claro já durante a pré-produção do reality. Poucas informações vazaram e a equipe trabalhou sem passar muitas informações para outros departamentos da emissora. Notícias sobre atraso no processo circularam pelos sites especializados a partir de relatos de funcionários da própria Globo. Depois, as chamadas já apontavam para uma participação maior do telespectador e destacavam os mecanismos para evitar as famosas “plantas”.
Seleção e casa de vidro
É nítido que a produção do BBB 26 buscou pessoas interessantes, polêmicas e dispostas a quase tudo pelo prêmio em dinheiro. Mas, apesar de toda a atenção para evitar quem só busca a fama, parece que algo não funcionou muito bem na formação do elenco. Ainda na casa de vidro, Marcel pediu para sair e, colocado contra a parede, resolveu permanecer na votação popular. Entretanto, mesmo escolhido pelo público, voltou a desistir antes mesmo do confinamento. Pressão demais, apesar do sonho de estar ali.
Outro grande exemplo de que a intenção é não facilitar o jogo veio do Quarto Branco. Ricardinho não aguentou, apertou o botão vermelho e demorou para sair do ambiente, o que só aumentou sua ansiedade. Mas, não parou por aí. Outros incidentes aconteceram nesse espaço. Além disso, a disputa permanece mesmo em condições precárias. E na casa principal vimos Henri Castelli sofrer um ataque convulsivo durante uma prova de resistência. E pior, um segundo episódio mesmo após atendimento médico.
Tudo isso mostra que a Globo precisa agir com muita responsabilidade e que nem tudo é válido na disputa por audiência e faturamento. Sei que trata-se de uma competição e que os participantes podem desistir a qualquer momento, mas é fundamental garantir um atendimento rápido e observar alguns limites no tempo, intensidade, pressão e exposição. Além disso, não basta ter essa responsabilidade. É fundamental deixar bem claro na tela e levar ao público o mais rápido possível a informação sobreo que acontece no BBB 26 quando não estamos assistindo. Nesse episódio com Henri Castelli faltou a Globo informar antes sobre a gravidade (ou não) do estado de saúde do ator. Isso também faz parte da responsabilidade.
